9 de abril de 2006

A louca de Higienópolis.

por Priscila Basile


A terapia literária consiste em desarrumar a linguagem a ponto que ela expresse nossos mais fundos desejos.” – Manoel de Barros
Loucura – falta de discernimento; irreflexão; absurdo, insensatez, doidice, louquice.
- Do Aurélio.

Essa poderia ser uma história de uma menina trazida do Rio Grande do Norte, da pequena cidade de Canguaretama. Aos sete anos foi levada com o incentivo dos pais ao Rio de Janeiro. Aos 15, foi trazida de lá para a capital paulista. Mas poderia ser, não se sabe se é.

Seu Paulo eu não sou maluca nem sensitiva. Nada de paranormal. O senhor com sua família me trouxe sim. Do Rio de Janeiro quando eu tinha 15 anos todos éraram. Meu pai errou mandando me buscar de Canguaretama cóntra minha vontade. Vocês eraram me trazendo do Rio para São Paulo. Por que? Não se rouba gente. Nem nada.

Grita-se nos muros da Avenida Higienópolis, localizada no suntuoso bairro homônimo, palavras de uma tal Márcia ou Tereza que, todas as manhãs faz da escrita sua cachaça. Estende-se nos portões de um clube luxuoso dezenas de folhas repletas de poesia. Há quem conteste seu lirismo, há quem não acredite nele. Talvez por não entendermos ou por procurarmos lucidez em tudo que nos cerca, torcemos o nariz para os delírios reais dessa personagem urbana.
A primeira descrição física da chamada louca de Higienópolis poderia ser esta – uma mulher loira que faz suas próprias roupas – mas talvez isso lhe fosse insuficiente. Existe algo de lúdico na construção de suas formas. Olhos cansados, às vezes assustadores, em meio aos fios loiros de cabelo. Ela abusa das fitas, de tecidos brilhosos e de um rádio que vive pendurado em seu pescoço emanando Bethovem, Mozart ou Strauss. Poder-se-ia pensar em uma boneca espalhafatosa andando pelas ruas. Não. A organização dos elementos é de uma simplicidade quase doída. Uma Macabéa paulistana cuja hora de estrela são seus textos afixados sistematicamente com galhos nas grades do tal clube.

Esclarecimento à população: eu márcia aqui : morando na rua saia verde camiseta verde blusa rosa loura.

A descrição subjetiva é impossível de se delinear. Embora se comunique pelo olhar, pela fala às vezes rude, seus manuscritos comporiam o que de mais importante ronda a história de vida dessa mulher. Embora com a pontuação complicada, algumas palavras mal alocadas, há uma consciência de mundo que cerca as obras. Nomes de instituições, governantes, mesmo usados de forma hostil, saltam do papel a todo instante.


tá pensando que eu sou sensitiva de gáris josé serra? Vigaristas da prefeitura pé de chinêlos. tá pensando que eu sou doida prefeito de são paulo? Irão de arrepender eu juro! Sou vingativa pagarão. Odeio.

Outro fator curioso, agora quase mágico são nomes de seus possíveis amores, familiares, anfitriões e personagens desconhecidos. A curiosidade maior é de quem a lê e pára para averiguar na internet a verdade detrás dos títulos. Se a teoria de que só se existe se estiver na rede, encoraja desbravadores. Digita-se um nome em sites de busca e lá está ele. Homem, aprovado com a maior nota em um concurso para a vaga de carcereiro em São Paulo. A descoberta acaba por aqui. Outro nome, mulher, empresária que promoveria um leilão de jóias em Sergipe. Através dela se chega à outra pessoa de mesmo sobrenome. Nascida em 56, sem curso superior, é babá, artesã e mora no Jardim Paulista. Um número de telefone aparece na tela. Os curiosos perseguem as pistas como quem ronda ou descobre grandes fatos acerca de uma suposta grande história. Durante a ligação e do outro lado da linha identificada pelo endereço, uma voz feminina balbucia e afirma não haver ninguém com o nome exposto no currículo. Balde de água fria. O melhor seria não procurar lógica em algo que existe por si só.

Jamais colocaria um palito na minha boca jamais tirei comida dos meus dentes com á línguá, não sou porca. Usava nos meus dentes fio dental. Nunca pús minha línguá na minha bochécha nunca usei dentadura nunca tive tic, nervoso na boca.

Todas as manhãs, perseguimos os textos deixados pela escritora que faz da rua, sua mídia. Provavelmente o faremos até que existam por lá. Há dias em que somem, penso se não há mais algum fã, além de mim e dos que já conheço. Encantados por uma história que poderia ser a da vida de alguém, caçamos densidade em algo leve e impalpável. A existência. Ela que desconstrói seres humanos, seus caminhos e trata de impor lógica aos mais sensíveis.

2 de abril de 2006

Projetos distintos não devem ser pesados na mesma balança.

Há que separar-se desejo e responsabilidade. Cada um em sua metade da balança. Embora talvez devêssemos pesá-los em balanças distintas.

O desejo e a responsabilidade devem ser separados, etiquetados, catalogados e depois, guardados em distintos compartimentos de armários ou arquivos a que sirva vistoriá-los em dias quaisquer.

O relógio deve então parar de correr. Há de se ter escolhas que priorizem o prazer. Pode ser que alguém pense: o desejo virá sempre antes da responsabilidade.

Nem sempre.

Há que prefira a responsabilidade ao desejo, ou, há quem tenha desejo pela responsabilidade.

Geralmente o ser humano, esse objeto duplo, repleto de significações e sentidos possui balanceadamente as duas opções. O que deve ser evitado, no entanto, é o atropelamento de um pelo outro.

Mas, o tempo existe. Involuntariamente somos pautados pelo andar alvoroçado dos relógios e suas conseqüências. Escravos? Quem sabe. O que se tem certeza é que realmente não podemos escolher a que horas vem um e a que horas começa o outro.

Há de se optar pelas escolhas, novamente. Escolher alternativas pré-estabelecidas por normas que a gente mesmo se impõe. E se não as houvesse, o que decidiríamos?

27 de março de 2006

Terrivelmente iguais são os fatos que cercam as pessoas. Olha lá na rua pra ver. Trânsito, megalomania, gritos e sussurros de quem não tem pra onde ir ou não sabe para onde vai.

Não há caminhos para quem não visualiza estradas. E infinitas são elas.

Não há de se pensar em passados mal construídos aliados a erros cometidos. Incrivelmente melhores são as previsões sobre o futuro, embora deixem obscuros os feitos presentes. Ausentes. Parte de ansiedades que habitam os mais obtusos lugares de quem faz da busca, uma constante.

O choro rasgado não aperta o coração, mas os olhos e a garganta. É nó e é lágrima oscilante nos cílios inferiores.

Há de procurar ciência para explicar a contenção da subjetividade. E não há ciência que abençoe abstrações. A benção vem antes de existir a teoria. A teoria perdeu espaço nas telas de computadores e na necessidade prática e emergencial do tempo agora.

A música pediu o silêncio. Eu silenciei.

20 de março de 2006

Eu nunca, mas já.

Eu nunca desfaço a mala. Porque eu prefiro viajar. Ou talvez porque eu prefira estar em todos os lugares. Não precisa ser ao mesmo tempo. Mas precisa mudar. Sempre.

Eu nunca fecho a janela. Porque eu prefiro deixar o ar entrar. Ou talvez porque eu sofra de claustrofobia e não saiba. Não precisa ventar. Mas o ar precisa circular. Sempre.

Eu nunca varro o chão. Porque eu prefiro sujar. Ou talvez porque eu tema perder alguma coisa. Não precisa me mandar. Mas às vezes eu limpo. Sempre.

Eu nunca ponho o chinelo. Porque eu prefiro andar descalça. Ou talvez porque eu queira sentir a temperatura de onde piso. Não que eu ache meu sapato. Mas eu me calço pra sair. Sempre.

Eu nunca ouço o telefone tocar. Porque eu prefiro encontrar. Ou talvez porque meu telefone esteja com defeito. Não precisa me ligar. Mas lá está o celular a tocar. Sempre.

Eu nunca planejo com antecedência. Porque eu prefiro me atrasar. Ou talvez porque eu realmente não consiga planejar. Não que eu tente. Mas a última hora está lá a me espreitar. Sempre.

Eu nunca me desconheci. Porque eu prefiro descobrir. Ou talvez porque hoje eu não esteja aqui. Não que eu esteja lá. Mas talvez lá seja outro lugar. Sempre.

16 de março de 2006

Eu tenho a impressão de que a cidade fica bem ali. No parapeito da minha janela. Basta subir,debruçar, olhar pra baixo e assim, ver as milhares de luzes de milhares de lugares que ninguém sabe ao certo o que é.

A cidade está cantando. Uma harmonia mal planejada, sinfonia confusa. Dedo e buzina. Mas,afinal, de quem é a esquizofrenia? Do dedo ou da buzina?

A situação do ar está regular. Mas daqui a pouco chove. E nada como a noite de São Paulo depois de umas horas de chuva.

Enquanto isso,o menino de rua se esconde debaixo do viaduto. Mas é empurrado por algumas rampas, feitas de material áspero e pontiagudo. E isso machuca o menino. Melhor ficar com a chuva ou procurar algum ponto de ônibus, mesmo que esteja lotado. É só esperar.
O difícil é não ter itinerário nenhum pra esperar. Ser só pra não se molhar.

E a sinfonia continua, embora o vidro do carro esteja fechado.
A obra continua a crescer, embora ainda não tenha dono.
A chuva continua a cair, mesmo que o frio já esteja aqui.
Mãos continuam estendidas, ainda que estejam vazias. A minha e a sua.

Logo mais, vai passar aqui embaixo da minha janela, uma multidão. Façamos silêncio.

13 de março de 2006

De que adiantaria ficar parado se, mesmo assim, e, apesar de tudo, lá estaria o mundo a girar e movimentar-nos, mesmo sem querer.

E de que adiantaria esperar o mundo girar sem, nem mesmo, mover-se, nem que fosse para descobrir uma nova pessoa.

Cá estamos nós, a tentar desvendar o mistério da civilização, nascida entre lutas de poder e perpetuada as custas de invenções mirabolantes sobre o futuro.

9 de março de 2006

Boca de lixo. De luxo tardio. De tempo vadio . De sol apagado e chuva reinando. De árvore parada com vento estático.
Não há brisa remanescente. Nem temporal de fluxo reluzente.
Itinerante de suas ruas de poetas maltrapilhos.
Vagando atrás de verdades vendidas em potes de supermercado, ou lojas de atacado.
A verdade é vendida no varejo.

No caminho se encontra a pergunta. Não a resposta.
As respostas vem antes das dúvidas.
Dúvida que endivida o indivíduo.
Único.
Amador de situações e situacionismos.
Há que reinventar-se pra tornanr-se colorido.


[texto duro, de palavras sonoras deslocadas e dançantes. entre páginas virtuais]

2 de março de 2006

[Eu não sei dizer nada por dizer
Então eu escuto
Se você disser tudo o que quiser
Então eu escuto

Fala
Fala
Se eu não entender, não vou responder
Então eu escuto
Eu só vou falar na hora de falar
Então eu escuto
Fala]

Cala a boca de palavra falha. Só olha. Folheia meus olhos e leia meu pensamento.
Falta uma palavra que cala , em silencio. Uma palavra que explique e outra que se desculpe.
A palavra que finda a dúvida que tira o sono, desperta do sonho e adormece a alma.
Para uma alma as palavras não fazem diferença ou sentido.
Mas, cá pra mim, eu procuro uma palavra definitiva.

26 de fevereiro de 2006

[eu quero é botar, meu bloco na rua, girar, botar pra gemer. Eu quero é botar, meu bloco na rua gingar, pra dar e vender]

E o bloco passou no meio da rua já cheia de espíritos do Carnaval. Desceu a ladeira e foi parar na boca do

rio. Iara fez festa pro Quem Gosta passar. Cantou, cantou, cantou. Espalhou cores e tambores. Tambores

sempre mandam recados. O bloco deu o seu.

1 de fevereiro de 2006

Madrugada. Silencio. Luzes amarelas e ruas vazias. Ar respirável, todo ele a plenos pulmões.
Consegue ver esse cenário? Misterioso.
De longe, algumas conversas escondidas, baixas, quiçá ilegais.
Esse é o silencio dos que não dormem. O habitat de quem tem a noite como parceira.
Lua, tão cosmograficamente satélite. Objeto de discussão para quem as palavras faltam. E falham.
Sorrisos contaminados embora sinceros.
Poucas luzes (quem dera fossem de lamparinas, quem dera...) em casas onde reina o sono dos que trabalham antes do sol nascer e se despedem do dia quando ele se põe.
Enquanto isso , em algum lugar do mundo, alguém se encontra com seus próprios eus e circuntancias.
Na madrugada....

27 de janeiro de 2006

para novos e desconhecidos amigos

Os conhecidos desconhecidos são muito bem vindos.
Certamente porque eles chegam muito perto e fazem a gente pensar e querer descobrir ou encobrir coisas que, antes, eram silenciosas.
Não são óbvios, são inimagináveis. e possuem cores, umas Amarelas, outros tem olhos negros.
as trocas são ricas e com mais comunhão do que seria normalmente com a pessoa mais próxima e conhecida que imaginamos. por isso, bem vindos!
desvendem-me.

26 de janeiro de 2006

O fato é que eu remoia algumas lembrancas.
Não porque fossem boas ou más, mas porque elas me pertenciam.
Não há bom momento que não vire boa lembranca que, ao consultá-la, faca emergir da face um sutil sorriso.
Assim como não há má lembranca que deixe de espremer violentamente o coracão dentro do peito.
Mas essa não é a questão principal.
A principal questão é que elas me pertencem e, talvez sejam, acredito que o são, só minhas.
Elas me constroem a cada dia. Guiam escolhas e moldam minha maneira de acordar.

23 de janeiro de 2006

Demora pra gente perceber, mas quando descobre, tudo fica maior e mais colorido. Como existe gente interessante nesse planeta ( sim, sim, eu também acho que deve existir criaturas sensacionais fora dele).
Gente das mais variadas formas e gostos. Que gosta de música e de silëncio. De batucada e de guitarra.
Gente que põe flor no cabelo e anda descalca. Que olha pro céu e procura constelacão. Que gosta de rio mas não dispensa o mar.
Gente que pinta o cabelo e gente que nem penteia. Que toma banho mas prefere a água fria da cachoeira.
Gente que acredita em sonhos e gente que não sonha nem dormindo. Que leva vários tombos mas que comemora pequenas vitórias. Que olha e vë e, outros que se fazem de cegos.
Gente que le, não entende mas não desiste. Que desiste mas ainda assim continua vivendo e sendo importante para algumas pessoas.
Todo mundo é importante.
Todo mundo fica triste.
Todo mundo pensa.
Todo mundo ama ao menos uma pessoa.
Alguns não sem importam. Outros fazem do altruísmo sua mais evidente virtude.
Alguns mudam o tempo todo. Outros preferem permancer como são.
Alguns preferem lua e, outros, sol.
Se o gosto se discute? Sim, sempre. Nada melhor que uma conversa polarizada, troca de idéias e, em algum ponto, ambos concordam, sempre.

14 de janeiro de 2006

Tem uma frase, em algum texto no qual a autora afirma que está sempre se procurando e , quando se encontra, descobre que mudou de endereco. Sentir-se assim creio que seja tão absolutamente humano que até incomoda um pouco, porque, sem querer voce se descobre demasiadamente igual até mesmo às pessoas que voce despreza e procura entender porque, no mundo, essas pessoas existem. pode parecer estranho mas não,absolutamente não estou falando de ninguém em particular, embora esse argumento de antecipacão faca crer ao leitor que tudo é exatamente o contrário disso.
E, além do mais tem essas pessoas errantes que o mundo cria para roubar-lhes a existencia e fazer com que elas vivam querendo descobrir caminhos obtusos, escondidos ali, naquele canto, não não, no outro, mas nesse mesmo mundo ladrãozinho. De repente também, aparecem raízes em pés móveis, demais quem sabe, e elas fixam devagarinho, prendem sutilmente, no movimento de quem acaba de despertar.

22 de dezembro de 2005

Tem um pouco de Piraju em qualquer lugar do mundo. Na rua vazia que lembra cidade fantasma e que contêm milhares de informações e lembranças. No modo de ser dos meus amigos que pautam a maneira pela qual procuro conhecer novas pessoas. No som que a música espalha e acaba sempre sendo uma identificação para encontrar sons de boa qualidade em qualquer lugar, por desavisado que seja. Nas conversas inesperadas que acontecem em esquinas constantes. Na solução de problemas que incomodam o mundo todo e na falta de consciência acerca de problemas ambientais mal resolvidos.
Tem um pouco da música pirajuense em todo lugar do mundo, ou são todos os lugares do mundo que estão presentes na música pirajuense. A música aqui surge com muita naturalidade e é possível observa-la pela variedade de músicos-compositores que habitam essa cidade.
Tem um pouco de Paranapanema em todo rio. Embora nosso problema central seja a construção imprudente de usinas hidrelétricas e, conseqüentemente, a desvalorização do espaço ambiental em uma cidade denominada “Estância turística” (título que lhe foi dado graças aos seus dotes naturais, contraditório, portanto).
Ainda é possível andar descalço por aqui e encontrar nas ruas velhos amigos dispostos a trocar longas horas de conversas, além de unir pessoas que se separaram pela necessidade natural de buscar conhecimento em outras partes do país. Talvez por isso haja um pouco de Piraju em qualquer lugar do mundo.

6 de novembro de 2005

EU MUDO O TEMPO TODO SÓ PORQUE ESTOU VIVA!

3 de novembro de 2005

Processo de criação acelerado. Ramificado. Descolocado.Colado.Embaralhado.Enrolado.
Virtualidades e virtuosismos. Sofismos.Achismos.Coloqueísmos.Maniqueísmos.
Artistas mambembes procuram. Seguram. Aturam. Perduram. Molduram.

1 de novembro de 2005

Pra onde a gente vai quando deixa de existir ?
As vezes acho que para um passo a frente, outras, nem para tras, nem pra lugar algum. So o encontro com o fim que nos cerca.
Pensar sobre a morte não soluciona sequer uma fagulha do que sua dor representa. Tão ineficiente quanto contar moedas miudas e saber que nunca teremos o suficiente.
Desenvolver teorias , religiões e projetos de planos espirituais antigos ou passados, e, inventar, pensar em lugares, paraisos ou limbo não amortece. Não ajuda. Não preenche. Nada.
Novas formas longinquas de diferentes modos de encara-la não me apetecem, nem suscitam um sentimento de confusão ou possibilidade de qualquer outra coisa.

Se ha um lugar para onde vão as almas, sera que eh aih para onde tambem vão os animais?

Fechei os olhinhos que não paravam de tentar me entender. Perdi o calor que aquecia meus pes em noites frias. Desencontrei a alegria de jogar um graveto.

15 de outubro de 2005

" Utilizo a Imaginação sem pensar, mas tenho consciência de que não é a melhor fórmula, porque o estado poético em que tudo surge como material diretamente utilizável é, sem dúvida o mais invejável"

"Chorar faz bem ã saude.Ë curioso: é uma coisa que só tem vantagens e que nos proibimos. No fundo, não sei realmente porquê"

Michel Houellebeq - escritor francês "contra o mundo, contra a vida"

Novos caminhos na minha vida de sempre!
Novos parâmetros para os sonhos com os quais já sonhava!
Novas buscas por ruas que sempre passo
novos horizontes por onde nasce o mesmo sol
novos olhares para pessoas que conheço desde a infância
novas percepções sobre sons que escutei há tempos
novas performances para músicas que já dancei
Novos rumos para decisões que moram em mim.



9 de outubro de 2005

MACUPIRANDO...

Manifesto Cultural de Piraju - MACUPIRA

Movimento popular de fomentação a arte e cultura concludente do Município de Piraju e região do Vale do Rio Paranapanema.

Desde 1999
Parte I

O MACUPIRA é a expressão do povo de Piraju. É a força e o curso das águas do Paranapanema. É a fé e a vontade de ver um país que conhece com orgulho suas origens. O MACUPIRA é o sorriso aberto e feliz de uma criança pintada a óleo sobre tela pelo padeiro, pelo vereador, pelo estudante ou pelo peão.


O MACUPIRA se expressa através da ARTE e entende como arte qualquer manifestação ou produção criativa do cidadão comum que naturalmente pensa, anseia, sonha e realiza.
O MACUPIRA é POPULAR e ABERTO, ou seja, ocorre por livre e espontânea vontade do povo e todos, sem distinção de idade, sexo, classe social, religião ou posição política podem participar ativamente. Sendo um movimento de todos, não há dono, pois é de propriedade do povo. Logo, não possui caráter assistencial, pelo contrário, são os próprios cidadãos que o tornam vivo.

O MACUPIRA é COSNTANTE e DINÂMICO, pois, enquanto movimento, não possui hora ou local específico para se manifestar. Onde jazer uma ou mais pessoas pensando, criando e interagindo, estará ocorrendo o MACUPIRA.

O MACUPIRA INTEGRA porque, além das manifestações individuais e coletivas que ocorrem no dia a dia desse movimento, realiza intervenções em praça pública reunindo todos os participantes. Nessas intervenções, toda a comunidade que ainda não participa do manifesto é convidada a assisti-lo livremente, podendo também se manifestar espontaneamente entrando para o MACUPIRA.

O MACUPIRA é LIVRE e qualquer maneira de expressar uma idéia é percebida como produto do movimento, portanto, qualquer cidadão pode ser MACUPIRENSE a partir do momento que a vontade ocorrer.

O MACUPIRA vive através da TROCA de experiências entre os membros do movimento, entre a sociedade e o movimento e se torna cada vez mais rico e vivo com a entrada de cada cidadão.

O MACUPIRA é ATIVO porque se trata de um manifesto de quem sempre está em movimento, buscando novas possibilidades, novas maneiras de pensar e agir.

O MACUPIRA promove, através da ARTE, um ambiente para a discussão participativa da sociedade a cerca de temas de importância SOCIAL, AMBIENTAL e CULTURAL.

( Daniel Viana)