Refletindo percebo que alguma solidão é minha culpa. Meu silêncio me absolve enquanto me condena.
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No silêncio pensamos sem palavras.
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O estranho é se dar conta desse silêncio cercada de um sem número de decibeis.
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O silêncio aparece no intervalo das notas. O silêncio revela.
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Exato. E revela sem escancarar.
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Quero uma solidão a dois.
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Utopia? Quem sabe. Eu almejo o silêncio concedido pela intimidade.
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A solidão a dois pode significar nós.
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O silêncio confortável da intimidade sem dúvida significa nós.
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A exatidão te cabe.
28 de julho de 2011
24 de março de 2011
7 de fevereiro de 2011
28 de janeiro de 2011
Pensando, esqueço.
Sentimentos de ausência me chegaram naquela tarde. Não me abandonariam mais.
Lembrei-me das tantas mulheres com olhares ausentes. Lembrei-me de me perder e dos descaminhos.
Não há dor que não passe, mas algumas ausências são presenças eternas.
Senti sombra. Senti tempo.
Lembrei-me das tantas mulheres com olhares ausentes. Lembrei-me de me perder e dos descaminhos.
Não há dor que não passe, mas algumas ausências são presenças eternas.
Senti sombra. Senti tempo.
12 de janeiro de 2011
Restos.
De tudo, talvez tenha ficado esse cheiro da ausência, essa saudade marcada pelo tempo. A saudade do que a gente deixou de fazer
De tudo, talvez sobre um suspiro lento e um abraço. Talvez sobre o gosto do ano que acabou, do dia que caiu pra noite.
De tudo, talvez nos sobre o silêncio. A palavra escondida. A página mal diagramada. A lembrança da morte. O susto das notícias espalhadas nos jornais.
Talvez sobre o sabor daquele livro. A sonoridade das risadas e os olhos presos no horizonte.
De tudo. Talvez nada.
De tudo, talvez sobre um suspiro lento e um abraço. Talvez sobre o gosto do ano que acabou, do dia que caiu pra noite.
De tudo, talvez nos sobre o silêncio. A palavra escondida. A página mal diagramada. A lembrança da morte. O susto das notícias espalhadas nos jornais.
Talvez sobre o sabor daquele livro. A sonoridade das risadas e os olhos presos no horizonte.
De tudo. Talvez nada.
25 de agosto de 2010
Hasta la victoria siempre.
A revolução nas minhas veias e aquela nos meus olhos têm cores diferentes.
23 de agosto de 2010
Cuba
(Trilha sonora para a leitura aqui ou aqui)
E então como é que a gente abrevia o que viveu? Como é que a gente conta uma história sobre um lugar com a pretensão de que nossos queridos possam viver tudo aquilo através dos nossos olhos?
As fotografias não são suficientes e acompanhadas de um relato fiel talvez ficassem congeladas no tempo e espaço dos dias quentes, do ritmo abundante guardado nos tímpanos, dos pés que se perderam nas ruas de um lugar que jamais poderíamos antever, da falta de sal da comida criolla e do sabor temperado das gargalhadas inesperadas.
E se eu tentasse definir o quanto eu mudei, creio que teria mais a dizer sobre aqueles onze dias que sobre meu último ano de vida, explicado com clareza naqueles minutos solitários frente aos questionamentos do mar.
Viver não se explica. Mesmo. Tudo é muito mais fruto de saltar no desconhecido e esperar que o mundo seja gentil como uma mãe ao nos embalar.
E então como é que a gente abrevia o que viveu? Como é que a gente conta uma história sobre um lugar com a pretensão de que nossos queridos possam viver tudo aquilo através dos nossos olhos?
As fotografias não são suficientes e acompanhadas de um relato fiel talvez ficassem congeladas no tempo e espaço dos dias quentes, do ritmo abundante guardado nos tímpanos, dos pés que se perderam nas ruas de um lugar que jamais poderíamos antever, da falta de sal da comida criolla e do sabor temperado das gargalhadas inesperadas.
E se eu tentasse definir o quanto eu mudei, creio que teria mais a dizer sobre aqueles onze dias que sobre meu último ano de vida, explicado com clareza naqueles minutos solitários frente aos questionamentos do mar.
Viver não se explica. Mesmo. Tudo é muito mais fruto de saltar no desconhecido e esperar que o mundo seja gentil como uma mãe ao nos embalar.
16 de junho de 2010
Quarta-feira às 3h da tarde.
Nesse exato momento um velhinho de chapéu experimenta o sabor novo de um sorvete. Um grupo de cegos toma cerveja no bar dos garçons gentis. Um taxista cede a passagem para um casal de namorados. A moça da banca sorri sem entender o motivo. O sol invade o chão da loja de chocolates. Dois irmãos se encantam por um país distante. O farol abre. Fecha. O mundo continua vagarosamente.
Eu vagueio.
Eu vagueio.
19 de abril de 2010
O Leite
Espanto-me ao não encontrar no outro
a doçura que falta na minha voz;
a simetria de rosto que me é ausente;
a graça das gentilezas que eu não faço;
os sorrisos que distribuo com parcimônia;
um outro que não mora em mim,
nem em ninguém.
Na verdade, eu não encontro desencontros.
Quiçá ausências, corpos que eu nunca tive.
Não pertenço a lugar algum,
porque sequer pertenço a mim mesma.
Era só um jeito de sorrir que eu tinha
e que perdi.
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Escrito em parceria com Fernanda Vicentini num dia sem sobriedade.
26 de fevereiro de 2010
São Paulo jazz

É fato que vai chover e eu terei vontade de caminhar longas horas sob as ruas molhadas da Avenida Paulista. A cada quarteirão morre e nasce uma dúvida, verte-se uma lágrima seguida de um sorriso, troca-se Janis Joplin por John Coltrane.
Eu terei mil idéias, afastarei uma centena de pensamentos e mudarei de opinião quantas vezes for possível no caminho que me leva do Paraíso ao final da Consolação. Todas as luzes incidentes distorcerão cada visão e hão de orientar cada olhar longínquo.
Talvez, ao passar pelo MASP, eu tenha uma epifania e sorria (gargalhe!) bem alto, para espanto dos concentrados transeuntes. Talvez eu cante em voz alta e de olhos cerrados durante o espaço de um quarteirão.
E eu sou só um recorte de mil pedaços. Uma fotografia velha que se reconstitui.
Eu terei mil idéias, afastarei uma centena de pensamentos e mudarei de opinião quantas vezes for possível no caminho que me leva do Paraíso ao final da Consolação. Todas as luzes incidentes distorcerão cada visão e hão de orientar cada olhar longínquo.
Talvez, ao passar pelo MASP, eu tenha uma epifania e sorria (gargalhe!) bem alto, para espanto dos concentrados transeuntes. Talvez eu cante em voz alta e de olhos cerrados durante o espaço de um quarteirão.
E eu sou só um recorte de mil pedaços. Uma fotografia velha que se reconstitui.
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OBS: A fotografia não está em CC.
12 de janeiro de 2010
Surpresa vespertina
Isso me chegou no meio de uma tarde nublada. Delicadezas, meus caros, delicadezas.
Insônia
p/ Priscila Basile
uma chaga
que se fecha
a cada minuto
uma clave de sol
chave para
você entender
as pálpebras que ardem
& o alfabeto
que dia e noite
suspira na sua carne
(R. Saffuan)
.
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Obrigada, meu querido.
Insônia
p/ Priscila Basile
uma chaga
que se fecha
a cada minuto
uma clave de sol
chave para
você entender
as pálpebras que ardem
& o alfabeto
que dia e noite
suspira na sua carne
(R. Saffuan)
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Obrigada, meu querido.
21 de dezembro de 2009
Delicadeza
Um vagalume me atravessou.
E ele era bem mais bonito que todas as luzes de natal da Av. Paulista.
E ele era bem mais bonito que todas as luzes de natal da Av. Paulista.
30 de novembro de 2009
Segunda nota sobre pequenos fracassos
Eu vi um silêncio que me chamou.
Conheço silêncios assim, sem nome, que engolem.
É um silêncio que sempre me convida a entrar em sua imensidão.
O silêncio me revela.
Conheço silêncios assim, sem nome, que engolem.
É um silêncio que sempre me convida a entrar em sua imensidão.
O silêncio me revela.
27 de novembro de 2009
Nota sobre pequenos fracassos
[Desconhecer o motivo das lágrimas é uma maneira delicada de enlouquecer]
26 de novembro de 2009
Oh! Darling

Oh! darling, please believe me
I'll never do you no harm
Believe me when I tell you
I'll never do you no harm
Oh! Darling, if you leave me
I'll never make it alone
Believe me when I tell you, ooo
Don't ever leave me alone
When you told me
You didn't need me anymore
Well you know I nearly broke down and cried
When you told me you didn't need me anymore
Well you know I nearly broke down and died
Oh! Darling if you leave me
I'll never make it alone
Believe me when I tell you
I'll never do you no harm
(Believe me darling)
When you told me
You didn't need me anymore
Well you know I nearly broke down and cried
When you told me you didn't need me anymore
Well you know I nearly broke down and died
Oh! Darling, please believe me
I'll never let you down
Oh, believe me darling
Believe me when I tell you, ooo
I'll never do you no harm
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[Observações importantes: 1) diferentemente do restante do blog - disponível em CC - a foto e a música estão protegidas pelas leis do Copyright. É só um lembrete. 2) a letra é do Paul, mas eu gosto tão mais do casal John e Yoko que optei por eles para ilustrar essa maravilha. É isso!]
28 de setembro de 2009
Insônia
É quase como olhar o mundo através de uma janela banhada pela chuva. Turvo e melancólico.
É ser obrigada a conviver consigo durante longas horas e participar de uma discussão que não chega a conclusão alguma.
É ser obrigada a conviver consigo durante longas horas e participar de uma discussão que não chega a conclusão alguma.
17 de agosto de 2009
pílula
Lembro que naquela tarde o suspiro foi doloroso, embora fizesse sol após longos meses de chuva.
13 de julho de 2009
Se eu pudesse explicar, diria que não durmo há dias, que não sonho há meses, que eu não saio mais de casa.
Diria que intencionei trocar meus amigos, ainda que a ausência deles viesse a me doer como uma cólica constante nos rins.
Diria que escrever se tornou um sufoco, que ler se tornou um tormento e que a música me ensurdece.
Se eu pudesse explicar, diria que o vinho há muito virou vinagre e que eu continuo sorvendo o líquido, agora ácido, sem sequer me dar conta.
Diria que intencionei trocar meus amigos, ainda que a ausência deles viesse a me doer como uma cólica constante nos rins.
Diria que escrever se tornou um sufoco, que ler se tornou um tormento e que a música me ensurdece.
Se eu pudesse explicar, diria que o vinho há muito virou vinagre e que eu continuo sorvendo o líquido, agora ácido, sem sequer me dar conta.
3 de junho de 2009
eu silencio
O silêncio, minha querida, às vezes é vontade de não existir e também pode ser um louvor à vida. O silêncio é descanso, mas pode ser inquietação. O silêncio é a fala desistida de ser proferida, mas também é nossa surpresa diante da beleza da prosa e da poesia. O silêncio é o choro contido enquanto o peito rasga e grita de dor. O SILÊNCIO É COVARDIA E É CORAGEM. O silêncio é respeito e petulância. O silêncio revela o conforto da intimidade. O silêncio revela o fim. O silêncio aponta a direção certa, mas dissimula as outras opções. O silêncio agride e, ainda assim, é a melhor forma de afirmação.
29 de maio de 2009
pensamento
E de repente ela se calou. Manoel de Barros diria que entrou em estado de árvore. Eu não entendo de árvores, mas compreendo os silêncios.
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