Eu tinha um sorriso calmo naquela época. Os olhos serenos como se houvesse ali um rio calmo refletido.
Eu tinha os pés dançantes, inquietos para girar conforme o vento que rodopia em seu percurso que anuncia tempestade.
Eu tinha as mãos afáveis. Acariciando os cabelos dos meus amigos. Todos os dedos entreabertos para sentir a passagem da chuva.
Era um tempo em que as aflições eram causadas por mim e se não as houvesse, eu talvez as procurasse, só para sentir o palpitar mais forte do coração que caminha sem saber para onde ir.
Tinham mais forças as minhas palavras, era mais pungente a minha coragem, era mais desafiadora a minha luta.
Caminho por um oceano de incertezas, alçando velas e contando histórias que não aconteceram. Descobrindo os sete mares e descobrindo que os mares estão cada vez mais menos querendo ser descobertos.
Tenho medo de endurecer. Medo de acreditar cada vez menos e fazer dessa chaga um caminho a se traçar. Medo de temer as pessoas e perder a confiança no meu igual.
Confio num futuro fugaz .Tremulamente construído a base de sonhos e divagações.
Não vejo um palmo a frente. Só espero a onda passar.